segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Sete ossos e uma Maldição ( contos macabros )



Se não fosse pelos pesadelos que vinha tendo nos últimos dias,
Clara não acreditaria na orientação recebida da tia. Mas eles não
falhavam. Toda noite, uma mulher surgia no meio de seus sonhos
e sussurrava: “Meus ossos.” Não conseguia ver o rosto da mulher,
nem mesmo suas roupas. Só uma silhueta ameaçadora. E
apavorante. Invariavelmente, acordava ensopada de suor frio.
Por isso, quando a tia, que era espírita, mandou que
queimassem todos os móveis e objetos de seu quarto, não
protestou.
Nem poderia, depois de ter visto o que viu: a velha em
transe, olhos esbugalhados, a boca muito aberta, com uma voz
embolada, ordenando a destruição de seu quarto. Era a primeira
vez em que ia à sessão espírita que seus pais freqüentavam. E eles
só a tinham levado até lá depois que Clara relatara os estranhos
sonhos que a andavam assaltando. O vulto apavorante. A voz
aflita, nervosa: “Meus ossos.”
Foi a tia quem matou a charada. Segundo ela, uma vizinha
invejosa teria jogado sobre seu quarto uma mistura macabra feita
de ossos pulverizados e ervas daninhas. Magia negra mesmo.
Agora, o jeito era jogar tudo fora, queimar bem queimado, e
defumar o quarto com as ervas que a vovó incorporada na tia
indicava.
Ninguém na família ousava contestar as orientações que a
tia recebia quando estava incorporada. Ela era como que a
sacerdotisa que revelava os mistérios para todos. Às vezes, recebia
uma vovó, outra vezes, um caboclo, até mesmo um exu já tinha
tomado seu corpo para dar um recado urgente.
Por todas essas evidências, Clara não reclamou quando viu
seus móveis, suas bonecas, o travesseiro, diários, tudo jogado
numa grande fogueira no quintal.
Para compensar a tristeza, ganhou um quarto novo, todos os
seus livros em novas edições e seis bonecas, cada uma mais
bonita do que a outra. Estava justamente arrumando a estante
quando percebeu uma caixa fechada no chão do quarto. Com
tantas novidades, provavelmente, não tinha percebido o pacote.
Ao abri-lo, teve uma surpresa. Era mais uma boneca.
Incrivelmente bonita. Grande, como um bebê de verdade, mas era
uma mocinha, com trajes típicos de dançarina espanhola, um
vestido de seda vermelha com rendas pretas e uma mantilha
rendada também preta, a boca muito vermelha, e uns olhos muito
negros, brilhantes como estrelas cadentes. Deu-lhe o nome de
Muriel.
Não ficava sentada como as outras, com as pernas duras
esticadas para a frente. Um mecanismo de arame dava a seu
corpo uma extraordinária flexibilidade.
Clara sentou-a entre as outras bonecas e um ursinho, com
as pernas cruzadas numa pose sensual e as mãos nos cabelos,
como se os ajeitasse para ir a uma festa.
Linda, linda.
* * *
Naquela noite, não teve a visão do vulto. Mas foi acordada por
uma gargalhada estridente. Uma gargalhada de mulher. Sentou-se
na cama, sobressaltada, mas não havia nada no quarto. Confiante
nos poderes da tia, voltou a dormir, pensando que talvez uma
mulher bêbada tivesse feito barulho na rua.
Pela manhã, no entanto, ao lado de uma de suas bonecas
novas, havia um punhado de cabelos. Cabelos de náilon. Após um
exame rápido, verificou que Amelinha, uma boneca de ar meigo e
vestido xadrezinho azul-claro, tinha tido parte de seus cachos
arrancados.
Chamou a mãe correndo. Mas esta não lhe deu muita
atenção. “Essas bonecas de hoje em dia são muito mal-acabadas
mesmo”, resmungou, enquanto terminava de se arrumar para ir
para o trabalho.
Durante algum tempo, nada especial aconteceu. Mas, cerca de
uma semana depois, sonhou novamente com a gargalhada. E, ao
acordar, encontrou Dinda, uma boneca com ar de tia velhinha e
boa, com um corte profundo na garganta.
Nesse dia, decidiu arrumar novamente as bonecas. Tirou
todas da estante, arrumou seus cabelos, disfarçou a careca de
Amelinha com um lenço, botou um laço de fita no pescoço de
Dindinha, passou um pano em cada uma para tirar a poeira e
voltou a colocá-las na estante.
Deu dois passos para trás para observar melhor o conjunto.
Muriel voltou a chamar sua atenção. Sem dúvida, era a mais
impressionante. Ao contrário das outras, possuía um olhar vivido
e inquieto. Clara andou pelo quarto enquanto observava as
bonecas. Parecia que só os olhos de Muriel a acompanhavam. E
teve também a impressão de que o sorriso da espanhola estava
mais aberto, como se fosse estourar numa gargalhada a qualquer
momento.
“Que bobagem”, pensou. “Ando impressionada demais com
esses sonhos.”
Mas, nos dias seguintes, a idéia começou a tomar forma em
sua mente. A cada manhã, uma das bonecas aparecia maltratada.
Era um dedo arrancado, um olho furado, a cabeça virada para
trás, braços e pernas numa posição totalmente diferente daquela
em que a menina a havia colocado. Só Muriel parecia cada vez
mais viçosa, em sua pose orgulhosa, soberana da estante, sorriso
paralisado e os olhos que seguiam Clara por todo o quarto.
Consultou a mãe, que consultou a tia, que consultou os
espíritos. E o resultado de tantas consultas foi surpreendente.
Um dia, foi chamada à sessão onde a tia reinava soberana.
Ali estava novamente a velha, com seu olhar esgazeado, a voz
embolada e o pesado silêncio que impunha ao fim de cada frase.
— Qual é o problema? — perguntou o espírito incorporado
na tia. Dessa vez, não era a vovó que sempre lhe enviava
orientações. Clara não conhecia a entidade. A voz era mais grossa,
como a de uma mulher bêbada. E possuía sotaque espanhol. Nada
agradável. Ainda assim, era a única pessoa — se é que se pode
chamá-la assim — a quem Clara poderia pedir ajuda.
— Alguém, ou alguma força maligna, está maltratando
minhas bonecas — explicou a menina. E, antes que pudesse expor
suas desconfianças com relação a Muriel, foi cortada pela voz
grossa.
— É você.
— Como assim? — Clara achou que não tinha compreendido
a explicação.
— A força maligna é você.
Subitamente, a entidade sorriu e seus olhos semicerrados
brilharam na sala escura. Era o sorriso e o olhar de Muriel.
Clara recuou, assustada.
— Quem é você? — perguntou, quase gritando e recuando
ainda mais. Foi contida pelos braços amorosos da mãe e dos
outros participantes da sessão.
Ninguém ali acreditaria se ela dissesse que a entidade
incorporada era um ser maligno. E foi este mesmo ser quem falou,
sem tirar o sorriso do rosto.
— Esta menina está possuída.
Clara jamais esqueceria da expressão no rosto da mãe. Uma
mistura de horror e pena, mas jamais de dúvida. O que as
entidades incorporadas na tia diziam era sempre a verdade
absoluta.
Percebeu que não havia mais ninguém a quem pedir socorro.
Foi trancada no quarto. Ela e suas bonecas. Ela e Muriel, cujos
olhos negros faiscavam perigosamente. Mas Clara não teve medo.
Encarou o pequeno ser que lhe sorria da estante e agarrou-a pelos
cabelos.
Sem pestanejar, atirou a boneca com força contra a parede.
Nada aconteceu.
Muriel caiu no chão, com seu jeito de boneca, sem alterar o
sorriso nem seu olhar de carvão em brasa. Clara pegou, então, seu
canivete suíço e cravou-o no coração da boneca. Já fora de si, foi
rasgando a borracha macia que imitava pele, rasgando as roupas,
o véu, raspando cabelos, furando a boneca, queria acabar com
Muriel, eliminar sua força maligna.
Por fim, exausta, olhou para as tiras de borracha e tecido
que se espalhavam pelo chão. Estava, ali, ofegante, observando o
estrago que tinha feito, quando um objeto branco chamou sua
atenção. Estava embolado nas tiras de borracha. Aproximou-se e
puxou-o com a ponta dos dedos: era um osso, um pequeno osso.
À medida que vasculhava os restos da boneca, descobria
outros semelhantes. Absurdamente pequenos para serem de
gente, mas com o formato exato de ossos humanos: dois fêmures,
um crânio, caixa torácica, artelhos, bacia e uma omoplata.
Sete ossos recheavam a boneca.
Estava tão atônita com a descoberta que não se surpreendeu com
a brusca abertura da porta de seu quarto. Dali, a entidade de
sotaque espanhol e sua mãe a observavam. Foi a coisa estranha
quem disse:
— Não falei? Foi ela quem destruiu as bonecas. Essa menina
está possuída.
E após uma pausa:
— Vamos cuidar dela, não é mamãe?
Clara nem gritou.
Sabia que não adiantaria.
Olhou para a entidade incorporada na tia e viu apenas seus
olhos, negros e brilhantes como pequenas contas de carvão em
brasa.

domingo, 30 de janeiro de 2011

( LORRAN...for You ) verdadeiro AMIGO...... ( LORRAN.. ..FOR YOU ) ...


....Muitas pessoas irão passar pela sua vida.
Mas, somente verdadeiros amigos deixarão marcas no seu
coração.

Para conduzir você mesmo use sua cabeça; Para
conduzir os outros, use seu coração.

O Ódio é uma pequena palavra cheia de
perigo. Se alguém te trair, é culpa dele; se ele trair
novamente, é sua culpa.

Grandes mentes discutem idéias; mentes
medianas discutem acontecimentos; mentes pequenas
discutem sobre pessoas.

Aquele que perde dinheiro, perde muito.
Aquele que perde um amigo, perde mais. Aquele que
perde a fé, perde tudo.

Jovens lindos são um acidente da natureza,

Aprenda com os erros dos outros. Você não
conseguirá viver o suficiente para cometer todos eles
na sua vida.

Amigos, você e eu. você trouxe outro
amigo... e então somos 3... Iniciamos um grupo...
nosso ciclo de amigos... não existe início nem fim.
Ontem foi história. Amanhã é um mistério.
Hoje é um presente.
ººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººº
OBRIGADO AMIGO
Pela amizade que você me devota,
por meus defeitos que você nem nota...
Por meus valores que você aumenta,
por minha fé que você alimenta...
Por esta paz que nós nos transmitimos,
por este pão de amor que repartimos...
Pelo silêncio que diz quase tudo,
por este olhar que me reprova mudo...
Pela pureza dos seus sentimentos,
pela presença em todos os momentos...
Por ser presente, mesmo quando ausente,
por ser feliz quando me vê contente...
Por este olhar que diz "Amigo, vá em frente!"
Por ficar triste, quando estou tristonho,
por rir comigo quando estou risonho...
Por repreender-me, quando estou errado,
por meu segredo, sempre bem guardado...
Por seu segredo, que só eu conheço,
e por achar que apenas eu mereço...
Por me apontar pra DEUS a todo o instante,
por esse amor fraterno tão constante...
Por tudo isso e muito mais eu digo
"DEUS TE ABENÇOE AMIGO!"
By ----->҉ мαรQυєяαDє ۝ ◯ ◎ ミѼ☜♥☞

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Alguém em especial..Pra mim .......

Deletar vc da minha vida?

(x)Sim ( )Não

Senha:

************

Aguarde, carregando...
¦¦¦¦¦¦¦¦¦¦¦ 97%


~ERRO...

Impossível deletar o carinho que sinto por vc, arquivo muito grande no meu coração !!!

Te adoroO!!!




IGUINHO....pra vc ...Many.... te adoro pakas...

Ele não olha nos meus olhos,
ele vê meu coração...
Durante toda minha vida,
muitas pessoas passaram por mim,
dia após dia.
Mas somente algumas dessas pessoas,
ficarão para sempre em minha memória.

Essas pessoas são ditas amigas,
e as levarei para sempre em meu coração,
às vezes pelo simples fato de terem
cruzado meu caminho,
às vezes pelo simples fato de terem dito
uma única palavra de conforto quando eu precisei.
Às vezes por ter me dado um minuto de sua atenção,
e me ouvido falar de minhas angústias,
medos, vitórias, derrotas...

Às vezes por terem confiado em mim,
e me contado também seus problemas,
angústias, vitórias, derrotas...
Isso é ser amigo: é ouvir, é confiar, é amar.
E amigos de verdade,
ficam para sempre em nossos corações,
assim como as pegadas na alma, que são indestrutíveis.

À você meu amigo:
você é muito especial e importante para mim.
Eu te adoro muito.
Sua amizade para mim tem um valor enorme,
e nada que eu possa dizer à você,
pode ser tão especial ou mais significativo
do que sua amizade para mim.

"O amor que há numa grande amizade, é como a luz do dia...Clareia o pensamento;Anima o coração;E enche a vida de alegria.O valor que há numa grande amizade é tão caloroso e brilhante como o sol de verão a cada dia, a cada instante.O valor que há numa grande amizade significa mais do que as palavras podem dizer, porque uma amizade é um milagre uma benção, e uns dos milagres da minha vida foi ter conhecido você."

SEXO COM O DIABO ( contos macabros )


Poucos acontecimentos me causaram uma sensação tão dilacerante de tristeza e fatalidade como a impiedosa maldição que recaiu implacável sob aquela bela menina, a infeliz Daniele. Muitos simplórios insistem em crer que tudo não passou de algum terrível mal meramente orgânico, uma enfermidade desconhecida, de origem unicamente física. Todavia, não apresentam provas do que afirmam, nem mesmo indícios. Todos os exaustivos exames realizados não obtiveram o mínimo esclarecimento, e o caso permanece obscuramente inexplicável, pois nenhum possível agente patogênico foi encontrado no corpo de Daniele, nenhum de seus órgãos apresentava qualquer deficiência, no entanto, a menina enfraquecia cada vez mais...

Conheci muito bem a pobre Daniele. Melhor ainda, o que ocorreu com ela. Quando surgiu das trevas aquele demônio, a menina não tinha mais que 15 anos. Eu, quatro anos mais velho, estava absolutamente fascinado com sua beleza e expressão de ternura e inocência. Mais um passo, e cairia nas garras insanas da paixão. Mas, talvez, Daniele não fosse tão inocente quanto sugeria sua doce fisionomia. Estou firmemente convicto de que a demoníaca maldição foi atraída por sua própria vontade, como funesta conseqüência de seus terríveis e irrefreáveis desejos sexuais, os quais todas as noites a assaltavam até exaurirem miseravelmente sua energia vital. Sei de tudo, porque fui um observador assíduo de sua vida, queria conhecê-la a fundo. Fui a única testemunha da infernal cena. Minha atração pela menina era tão veemente que me utilizei de todos os meios ao meu alcance para retirar o véu de sua existência.

Posso afirmar com segurança que durante quase dois anos soube que a formosa e plena de vida Daniele deitava-se em seu leito, cobria-se com um lençol ou cobertor e principiava a acariciar seus seios e órgão genital durante prolongados minutos, ou seja, masturbava-se com uma tremenda volúpia sexual. Estando Daniele em plena adolescência e sendo ainda virgem, a energia sexual da menina encontrava-se em seu ápice, em seu esplendoroso e arrebatado afloramento. Percebiam-se as correntes energéticas percorrendo em fosforescente eletricidade todo o seu superexcitado organismo, incendiado pelo desejo sexual. Contudo, tal energia poderosa e incontrolável era todas as noites descarregada no ambiente penumbroso de seu quarto através da masturbação. Sua energia sexual, quando ainda em seu corpo físico, antes do orgasmo, oferecia aos olhos uma fulgurante visão que brilhava deslumbrantemente nos canais etéricos de seu formoso organismo. Entretanto, uma vez jorrada no ambiente externo pelo orgasmo, aquela cintilante energia multicolorida tornava-se opaca, avermelhada e sanguinolenta, às vezes pendendo para o negro. Para onde iria toda aquela energia? De alguma forma ela seria aproveitada... Lembremos da célebre sentença de Lavoisier: “Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. A energia se transforma, como a energia sexual de Daniele, que se metamorfoseou pela infrene masturbação. De límpida e fulgurante, tornou-se escabrosa e pestilenta.
A energia alastrava-se pelo ambiente astral de seu quarto, e este, com o passar dos dias e com a repetição dos atos masturbatórios, foi acumulando toda aquela energia sexual desperdiçada. Foi acumulando, até que, em certa noite tenebrosa, que ainda sinto calafrios ao recordá-la, uma negra e espantosa presença diabólica penetrou pela porta de seu quarto... Irradiavam-se pestilências e malignidades da coluna vertebral visível daquela coisa. E ela foi lentamente sugando através de asquerosos tentáculos membranosos a densidade energética ali presente.

Aquilo era como um repulsivo espectro que flutuava abjetamente pelo ar. Tinha olhos amarelados e doentios, arregalados e com veias proeminentes. Arrastava uma imensa cauda imunda e, na cabeça, apresentava um par de orelhas desproporcionais e repugnantes que balouçavam constantemente. Sua face envelhecida e impregnada de furúnculos, com um nariz de formato suíno, causava uma repulsão e um medo arrepiantes. Suas mãos escamosas eram enormes e projetadas para frente, com unhas curtas e pontiagudas, de uma nojenta cor arroxeada. Aquela coisa esvaziou o ambiente, sorvendo com repelente prazer a energia sexual despejada na atmosfera por Daniele. Minha impressão negativa foi tamanha que me retirei do local e somente a ele retornei uma semana depois. Quando o fiz, meu horror foi ainda maior, ao contemplar, no aposento iluminado somente pelo luar, aquele ser diabólico sobre o corpo de Daniele, realizando um revoltante ato sexual com a menina. Esta aparentava sentir um imenso prazer, porém, seguramente, não tinha consciência do imundo demônio que estava sobre ela. Para Daniele, tudo não passava de masturbação. No entanto, o hediondo diabo, astralmente, aproveitava-se de forma perversa da assombrosa luxúria da adolescente, drenando toda sua energia vital e assim mantendo a sua ominosa existência.

Após presenciar tão chocante cena, não tive mais ímpetos de à noite visitar minha admirada menina, tamanha era minha perturbação. Dias depois, caminhando abatido pelas ruas, ocorreu-me o feliz incidente de encontrar Daniele. Como nos conhecíamos, chamei-a para termos uma breve conversa. Disse que a achei um tanto magra e desanimada e perguntei se estava sentindo-se bem. A menina, entristecida, macilenta e com fundas olheiras, respondeu-me que fisicamente sim, mas não psicologicamente. Declarou que sofria de horríveis pesadelos. Em um deles, disse-me que via espiar furtivamente pela porta de seu quarto uma horripilante e repulsiva velha de aparência inominável. A velha ria malignamente de Daniele, em um riso torpe e encatarrado; em seguida, piscava seus enormes olhos dilatados e se ocultava atrás da parede. Daniele contou-me ainda que ouvia seus passos arrastados distanciarem-se lentamente de seu quarto. Então se acordava em estado de indizível pavor. Tais sonhos repetiam-se freqüentemente. A menina narrou-me também que certo dia, durante o final da tarde, viu, sentado sobre um muro, um homem estranho e muito feio que a olhava fixamente e apontava-lhe o dedo indicador como em um sinal de advertência. Então o homem pulou do muro, sorriu sinistramente e desapareceu de maneira furtiva. Ao dizer isso, vi que os olhos ainda belos de Daniele encheram-se de lágrimas. Senti uma cortante piedade da menina, mas não sabia o que fazer, nem mesmo o que dizer a ela. Despediu-se rápida e nervosamente, e eu ali permaneci como se minha alma estivesse aniquilada.

Meses depois, retornei ao seu quarto e aguardei alguns instantes, enquanto Daniele lia em sua cama. Minutos depois apagou a luz e principiou a se masturbar sob as cobertas. Não demorou muito para que aquele demônio surgisse vagando pela porta e lentamente flutuasse de forma abjeta sobre a adolescente, efetuando outra nauseante relação sexual, explorando a inconsciência da menina. Não mais pude permanecer diante daquela visão deprimente e voltei à minha casa. Passadas algumas semanas, encontrei outra vez Daniele na rua. Estava verdadeiramente acabada, esquelética, como que corroída por uma peste letal. Sua beleza murchara, secara, sua vida esvaí-se como o vinho que escorre de uma taça quebrada. Dias depois, fui ao velório de Daniele.

Semanas após seu falecimento, estando meu corpo adormecido e meu espírito vagueando pela dimensão astral (que era como eu visitava Daniele em seu quarto), tive um encontro com um perverso homem... Possuía uma bela aparência e segurava um cálice que julguei contivesse vinho. Estas foram algumas das palavras que o sinistro homem me dirigiu:
- Pensas que bebo vinho? Não. Bebo sangue, bebo a vida que o sangue espiritualmente contém. Assim mantenho essa aparência física através dos séculos, que não é a real, mas é com ela que me apresento imaginativamente às mulheres, entre elas a tua querida Daniele... Certamente, vira-me na forma real tendo relações com ela, não? Pois a menina via-me em sua mente com um aspecto bem diferente... Ah, suguei toda a sua energia, mais do que normalmente faço, pois ela era muito receptiva. É claro que com a maioria das mulheres, não chego a matá-las, dreno um pouco de energia, e isso é tudo. O máximo que pode ocorrer é elas terem alguma doença, ou serem infelizes no amor, pois não poderão amar devidamente, se é que me entendes... Logicamente, não sou o único a realizar tais ações, tenho colegas, masculinos e femininos. Minhas colegas femininas, é óbvio, sugam os homens. Atuamos não só em masturbadores, mas também em relações sexuais feitas sem nenhum sentimento, sem amor. Ah, quantos belos rostinhos nós já secamos... mesmo que lenta, bem lentamente, quase imperceptivelmente... Mas o que é isso? Não, não chores pela Daniele! Ah, ah, ah, ah, ah!

O POÇO ( contos macabros )


Chovia a cântaros na noite em que joguei minha esposa nas águas frias e escuras do poço de minha mansão. O vento sinistro da tormenta açoitava como um gélido flagelo minhas roupas encharcadas enquanto eu a ouvia agonizar afogando-se em algum ponto em que as trevas já impossibilitavam a visão.

Depois entrei aliviado em minha residência e tudo parecia ter adquirido uma coloração diferente do cinzento ao qual eu estava já tão habituado. Olhei para todos os lados e aquele novo colorido me fez lembrar os tempos de infância e de liberdade. As lágrimas escorreram por meu rosto onde um inelutável sorriso se estampara sem que nem ao menos pudesse percebê-lo antes de deparar-me, inesperadamente surpreso, com o imenso espelho na parede esquerda da sala. Ali, pela primeira vez em vinte anos, vi a minha própria imagem refletida sem que sobre ela restasse a sombra medonha da criatura odiosa com quem eu havia contraído um matrimônio peçonhento e trágico.Felizmente a esta tragédia eu havia dado um ponto final esta noite!

Mais tarde, já alta madrugada, subi ao quarto principal; deitei-me na imensa cama de casal e não pude conter as gargalhadas por senti-la tão espaçosa, tão definitivamente minha!!! Era exatamente isso que eu ansiara por tanto tempo: espaço, privacidade, silencio. Oh, o silêncio era tão precioso para mim! E aquela bruxa horrenda nunca o respeitara.

Agora respeita! Coberta que está, por litros e litros de água fria e escura, no fundo do poço onde a joguei pois, com exceção do leve ruído dos galhos das árvores roçando as paredes do lado de fora da casa, movidos pela força do vento, tudo mais é quietude.

Quando despertei mais tarde nem mesmo percebera que adormecera e, ao olhar em meu relógio de pulso, descobri que passava um pouco das três da manhã. De início fiquei aturdido tentando imaginar o que me arrancara de um sono reconfortante como há muito não tinha. Depois percebi que o vento lá fora ainda estava furioso pois os fortes galhos das árvores ao redor da casa continuavam a arranhar e forçar portas e paredes.

Decidi levantar-me e ir até a janela desfrutar um pouco da paisagem de minha propriedade sob aquela chuva torrencial, pois paisagens noturnas, sob tormenta ou nevoeiro, sempre me agradaram com seus aspectos lúgubres. Ao abrir as cortinas sobre a vidraça que era a janela de meu quarto, no entanto, tive uma enorme e perturbadora surpresa, pois, apesar de ainda estar ouvindo o uivo do vento e o arranhar dos galhos nas paredes, toda a chuva já passara e o céu estava límpido e carregado de estrelas.

No entanto, os barulhos continuavam e de repente assumiram um novo aspecto. Agora que a convicção da precipitação como causadora não mais existia, minha mente abrira um novo leque de possibilidades e o gemido que ouvia não era mais do vento e tampouco os arranhões nas paredes estavam do lado de FORA da casa. Pelo contrário: pareciam vir subindo rapidamente as escadas para o segundo andar onde eu estava.

Fiquei parado, paralisado, na sacada de meu quarto e senti minhas pernas dobrarem quando, do corredor, em um ponto bem em frente à porta, veio um uivo pavoroso que era um misto de dor, medo e ódio; um lamento que era animal, mas, antes de tudo, continha uma humanidade desesperada. Caí de joelhos pedindo à providência que me poupasse daquele horror, fosse ele o que fosse, e baixei a cabeça com os olhos fechados em alguma espécie de oração mal articulada.

Neste momento ouvi a porta do quarto ceder sob uma incrível pressão e em seguida uma maligna rajada de vento quente invadiu o ambiente. No final eu não podia me mover; os grilhões do medo me haviam aprisionado para além das possibilidades humanas, pois não era humano aquilo que entrou em minha casa aquela noite. Em meio ao calor que me atingia ainda tive duas sensações antes de desmaiar: a de um tênue cheiro de um perfume, que me era bastante conhecido dos tempos de casado, e a de que jogavam em mim, de um ponto mergulhado na escuridão a minha frente, gotas de alguma água fria e pegajosa. No entanto o que me tirou os sentidos não foi, de maneira alguma, uma impressão e sim uma percepção bem concreta, pois senti quando alguma fera diabólica, com um hálito frio e fétido, se abaixou sobre mim e me sussurrou no ouvido:

"Maldito, tu nunca mais dormirás de novo!”

ADOTANDO O DEMÔNIO ( contos macabros )


Desde criança, eu sempre quis ter um filho, ou uma filha. Vivia brincando com minhas bonecas, amando-as. Então fui crescendo e crescendo, tive meu primeiro namorado aos 19 anos. Ele se chamava Christopher Brown, fora uma das piores decepções que tive em minha vida.

No dia oito de agosto de 1972, três meses depois do inicio do nosso namoro, vi o desgraçado aos beijos com uma loira magrela e oxigenada. Ah...Dei um escândalo daqueles; depois me arrependi. Aquele traidor não merecia consideração alguma.

Aos 30 anos, me casei com o homem da minha vida. Paul Edward, que veio para a Califórnia 30 dias depois da minha separação com o Christopher.

Por vários meses tentamos ter nosso primeiro filho, mas... Nada.Resolvemos, então, ir ao médico; todos aqueles meses e nem sinal de um embrião... era muito estranho.

O doutor se apresentou como John Lee, um chinês vindo da capital de seu país de origem. Pelo que percebemos, aquele homem falava inglês muito bem.Concluímos então que sua estada junto a nossa nação já durava vários anos.

-Paul, Paola...- Ele disse, preocupado, olhando de um para o outro. – Nunca me esquecerei daquele dia, pois foi a chave que desencadeou todo o sofrimento que passo hoje.-Eu sinto muito...Ambos são estéreis.

Meu mundo caiu, toda uma vida sonhando em ter um filho tinha sido desmoronada.Mas o que ele falou depois ascendeu uma nova chama em meu coração.Hoje eu vejo que tomei a pior decisão da minha vida, mas...Como eu ia saber?

-Mas há uma solução.- O sorriso embutido em seu rosto demonstrava grande felicidade.-Porque vocês não adotam uma criança?

Eu e meu marido nos entreolhamos.Sim, adotar, realmente queríamos uma criança.

-Podemos, querido?-Perguntei.

Ele assentiu com a cabeça, mostrando seus dentes impecáveis naquele sorriso que paralisava.

À noite, conversamos e decidimos que seria melhor adotarmos uma criança um pouco crescida, entre sete e nove anos. Pois nos pouparia das trocas de fraldas e de muitas outras desvantagens.

No dia seguinte chegamos, pela manhã, ao orfanato San Arthur. Fomos convidados a entrar pelo diretor da instituição, David Andersom:

-Sejam bem vindos.-Ele disse.

Ele nos mostrou várias crianças, mas nenhuma nos encantou mais do que a última que nossos olhos avistaram. Estava jogando xadrez, sozinho, na área de lazer. Era um garotinho loiro e com lindos olhos azuis, além de estar muito bem vestido.

-Como ele se chama?-Perguntei ao diretor.

Ele me olhou com uma cara de que essa não era a escolha correta a ser tomada.

-Seu...Nome é Lúcius Damon .-Ele puxou meu braço.-Mas venham, temos mais crianças por aqui.

Puxei o meu membro de volta.

-Quero o Lúcius.-Eu disse, encaminhando-me para conversar com o garoto.Enquanto isso, o Paul acertava a adoção com o diretor Andersom.

- Oi, Lúcius.-Eu disse.

-Oi.; -Ele respondeu. -A senhora é muito bonita. Fiquei corada.

-Ah, muito obrigada.E você é um garotinho muito esperto, sabia?

Ele apenas sorriu, grato.

-Então, o que tenho que assinar?-Perguntou Paul ao diretor Andersom, enquanto eu dialogava com a criança.

-Tem certeza de que essa é a decisão correta, senhor?-Perguntou o diretor.-

Temos muitas crianças que...

-Tenho.Se for o que minha mulher quer, é o que eu quero também.

Estava feito, dentro de um certo tempo estaríamos com o garoto em casa.

-Esse é o seu quarto.-Eu lhe mostrei.

-Muito obrigado, mãe.Posso lhe chamar de mãe, não é?

Soltei um riso, e não nego que senti vontade de chorar. -Claro que pode...Meu filho.

O Lúcius era muito mais apegado comigo, e quase não falava com o Paul, que fazia a mesma coisa.

Um dia eu me acordei, assustada, ainda de noite, e senti falta do meu marido na cama.Ao descer a escada para ver onde ele estava, vi a pior coisa da minha vida.

Paul estava pendurado, com uma corda no pescoço... “Sem as mãos, nem os pés”.Lúcius estava ao seu lado.

-Já que o papai não fala comigo, então vi que ele não tinha utilidade para nada.-Foram as palavras que saíram da boquinha dele.

-O-o-o que v-você fez?Isso é uma brincadeira, não é?-Em resposta, apenas o barulho do vento, que entrava pela janela.-R-E-S-P-O-N-D-A!

Ele me olhou com uma cara assustada.

-Mamãe, você está me dando medo.Você não gosta mais de mim? Largada no chão, junto ao homem que amava, eu respondi:

-Você não merece ser amado nem pelo Diabo.ESTÁ ME OUVINDO?!NEM PELO D-I-A-B-O!

-Mamãe?Então é assim?Pois então você merece a mesma C-O-I-S-A!-Disse ele, mostrando a faca que segurava e correndo como um louco em minha direção.Estava descontrolado, e eu também.Mas, mesmo assim, tive tempo de raciocinar, me desviar e enfiar aquela mesma faca na barriga dele, do filho de Satanás.

Logo depois, pus-me a chorar ajoelhada, como uma louca que perdeu tudo. Posteriormente, o barulho da polícia foi ouvido.Eles entraram e viram os dois corpos mortos.

Acusaram-me de assassina e, hoje, 32 anos depois...Ainda continuo presa aqui, nessa sela imunda. Mas não fui eu, digo a vocês, chorando: “Foi o filho do diabo”.

A VINGANÇA DE EMILY MACLAUREN ( contos macabros)


- Não, eu já me cansei – disse o delegado furioso, incrédulo, e porque não dizer aterrorizado, diante do depoimento surpreendente de Thomas Mclauren, irmão caçula de Emily Mclauren, jovem brutalmente assassinada, depois de ser estuprada e espancada por Richard Hewitt, Daniel Cooper e David Williams, esses que, até então, se diziam amigos da família Mclauren.

Richard Hewitt telefonou para a jovem Emily Mclauren, convidando-a à sua residência, a fim de ajudá-lo em um trabalho escolar.

A pobre moça foi até a casa de Richard sem saber que estava sendo atraída para uma terrível armadilha. Chegando lá, Richard, juntamente com seus amigos Daniel Cooper e David Williams, violentaram a pobre moça, espancaram-na e mataram-na covardemente, a facadas.

Depois dessa abominável atrocidade, Richard e os amigos enterraram o corpo em um vale próximo ao local do crime.

Passaram-se dias, semanas e meses, mas ninguém sabia do paradeiro de Emily Mclauren. A polícia foi acionada e começou a investigar o caso, procurando as pessoas que estiveram por último com Emily Mclauren.

Uma caravana policial foi à casa de Richard, mas ele, dissimuladamente, e com uma frieza implacável, respondeu todas as perguntas dos policiais, negando qualquer participação no desaparecimento da jovem, embora tenha sido a última pessoa com quem Emily Mclauren estivera antes de desaparecer.

- Não, senhores - disse Richard -, Emily ajudou-me no trabalho e saiu dizendo que iria para casa.

Certo dia, uma intensa multidão encontrava-se no vale. Crianças, que, por ali brincavam, perceberam uma parte fofa na terra e, mal começaram a cavar, não demorou muito a aparecer primeiro um anel de prata com uma mão já em adiantado estado de putrefação.

A polícia foi acionada e, juntamente com a equipe de legistas, recolheu o cadáver para averiguarem se este, realmente, era o corpo da jovem desaparecida. O laudo médico confirmou: sim, aquele era mesmo o corpo de Emily Mclauren, que antes de ser esfaqueada fora seriamente molestada.

O passo seguinte era, agora, encontrar os criminosos responsáveis por tamanha desgraça. Novamente uma caravana policial foi à casa de Richard Hewitt para um interrogatório, já que era ele o principal suspeito do assassinato.

Um tanto inseguro com a pressão dos policiais, Richard confessou ser o responsável pelo assassinato de Emily Mclauren, tendo como cúmplices seus amigos Daniel Cooper e David Williams.

Os três jovens foram presos e ficaram detidos até o dia do julgamento. Mas, devido a falta de provas e à eficácia do advogado de defesa, eles foram absolvidos de toda a culpa, fato que revoltou toda aquela cidade. Como era possível que monstros e facínoras daquela espécie ficassem em liberdade?

Os anos passaram e, ninguém lembrava mais desse crime, inclusive os próprios assassinos. Foi quando telefonemas e bilhetes com terríveis ameaças em nome de Emily Mclauren começaram a tirar o sono dos três jovens. As ameaças eram terríveis e sempre diziam:

- A sua hora está chegando, você não perde por esperar, eu não me esqueci de você e nem de seus amigos.

Os três rapazes, então, reuniram-se em um bar para tratar do assunto.

Apavorado, Richard dizia para os amigos:

- Eu recebo estas ameaças o tempo inteiro. Seja quem for, está tentando nos assustar. É melhor tomarmos muito cuidado. – Que tal irmos até a policia?

- Ficou louco Richard!? – Disse David.

- Vamos até a polícia dizer para o delegado que estamos sendo ameaçados por Emily Mclauren, a garota que matamos há tantos anos atrás? Eles nunca iriam acreditar.

- Eu concordo. – Disse Daniel. - O melhor que temos a fazer é não comentarmos este assunto com ninguém e, principalmente, tomarmos todo o cuidado possível.

Transcorreram-se dias e nenhum dos jovens receberam mais ameaças. Eles já nem se lembravam mais deste fato.

Foi quando o inesperado aconteceu: Primeiro, David sumiu sem deixar rastro, deixando Richard e Daniel apavorados.

Em seguida, foi a vez de Daniel, que também sumiu como se fosse tragado pela terra. E por fim, foi a vez de Richard.

A polícia novamente foi acionada, mas, desta vez, o caso ainda era pior que o de Emily Mclauren, porque o autor dos desaparecimentos não deixou pistas. Depois de muitas investigações e sacrifícios, a polícia encontrou os despojos dos rapazes no porão da casa de Emily Mclauren. E o pior é que todas as provas e indícios do crime caíam sobre o irmão caçula de Emily Mclauren - Thomas Mclauren - que foi levado para a delegacia e agora prestava depoimento.

-Senhor Thomas Mclauren, o senhor é o principal suspeito do assassinato desses três jovens. Todos os indícios apontam para o senhor. A quem o senhor está tentando enganar com esta história? O senhor acha mesmo que eu vou acreditar no absurdo que o espírito de sua irmã o obrigou a matar esses jovens, clamando por vingança? . – Indagou o delegado.

- Eu vou repetir a história outra vez doutor. – Disse Thomas Mclauren. Primeiro, tudo o que fiz foi por medo e obrigado pelo espírito de minha irmã Emily Mclauren. Tudo começou três meses após seu assassinato. Passei a ter pesadelos com minha irmã. implorando por vingança contra Richard, Daniel e David. A princípio eu não dei tanta importância, mas os pesadelos começaram a ser mais terríveis e constantes. Certa noite, ao acordar de um pesadelo apavorante... eu não pude acreditar, no entanto, não estava sonhando! Era real, estava ali bem à minha frente o espírito de minha irmã, clamando:

‘ - Vingança... vingança...vingança!’

‘Tomei coragem e perguntei por que ela estava fazendo isso comigo. E ela respondeu:

‘- Thomas, meu irmão, você precisa se vingar daqueles assassinos para defender minha honra e fazer justiça; caso você não o faça, eu não sairei jamais de seus pesadelos.’

‘Foi então que decidi colocar esse plano macabro em ação. Comecei a dar telefonemas e escrever bilhetes ameaçando os rapazes em nome de minha saudosa irmã. Era já madrugada de sábado para domingo quando seqüestrei David. Não tive muita dificuldade, pois ele voltava de uma boate muito embriagado e não ofereceu a mínima resistência. Outro fato que facilitou as coisas foi me sentir possuído por estranha força. Sei lá, sentia-me como se alma saísse do corpo para dar espaço a outra. O cativeiro das vítimas era o porão de nossa casa, onde agrilhoei David, completamente nu e amordaçado, em dois ganchos fixados na parede até passar o efeito do álcool. Grande parte da embriaguez de David já havia passado quando senti novamente a estranha força apoderar-se do meu corpo. Eu tentava em vão lutar contra ela, mas era impossível. Peguei o estilete e arranquei friamente os olhos de David, que, mal podendo se mexer, contorcia-se e gritava acorrentado na parede. Não satisfeito com tamanha maldade, peguei a tesoura de jardineiro e cortei bem devagarinho seus dois testículos. Um gemido terrível e abafado ecoou naquele lugar. Deixei-o nesse estado durante três dias e, quando voltei, pude ver que a vítima agonizava em um estado de semiconsciência. Foi quando resolvi acabar com a agonia da vítima: peguei o facão e passei sutilmente na garganta de David, que ainda tentou emitir algum som, antes de morrer.

‘- Pronto! Um já foi. Só faltam dois: o Daniel e o Richard.

‘Para atrair esses outros dois à vingança de minha irmã Emily, bastou dizer, a cada um, que o outro se encontrava escondido em minha casa e precisava falar-lhe, porque assim estariam se protegendo daquela estranha ameaça. Telefonei para Daniel, dizendo que David queria falar com ele em minha casa, mas que não avisasse Richard, para não atrapalhar os planos. Toca a campainha e abro a porta, era Daniel, que queria ver David. Então eu disse:

‘- Por aqui, ele está esperando por você escondido no porão.

‘Sem desconfiar de nada, o ingênuo Daniel seguiu-me até o porão. Abri a porta e disse:

‘ - Lá embaixo!

‘Mal David deu as costas, outra vez a estranha força tomara conta de meu ser e empurrei com toda a força o pobre Daniel escada abaixo, que caiu inconsciente. Ao acordar, Daniel encontrava-se amordaçado e algemado com as mãos pra trás em uma cadeira. Mesmo tonto pela queda, viu o cadáver já em adiantado estado de decomposição do amigo David. Eu podia ver o terror nos olhos de Daniel, mas tinha que executar a vingança de Emily. Foi quando novamente senti a força estranha tomar conta de meu ser. Tirei os sapatos de Daniel e, com um torquês, comecei lentamente a arrancar as unhas de seus pés. Ele começou a gemer e todos os músculos de seu corpo vibravam. Foi quando me veio em mente fazer uma forma diferente de escalpo: em vez de só arrancar o couro cabeludo, arrancaria da parte do pescoço para cima. Apanhei o escalpelo e fiz um corte superficial em torno da pele do pescoço, arrancando-a bruscamente, e deixando Daniel em carne viva, mas somente do pescoço para cima. Com a intenção de vê-lo sofrer um pouco mais antes de matá-lo, joguei sal grosso nas partes que eu havia lesado. Contorceu-se todo, até ficar imóvel, o infeliz. Finalmente, eu estava satisfeito. Acho que já o fizera-o sofrer demais. Então, peguei um punhal e finquei-o em seu coração. Percebi um último suspiro. Eu já tinha acabado com dois dos assassinos da minha irmã, só faltava pegar o Richard. Ah! Como este me deu trabalho, resistiu e lutou até o último momento. Fui pessoalmente até a casa de Richard dizer que David e Daniel encontravam-se em minha residência e precisavam falar com ele, porque tinham descoberto quem fazia as ameaças em nome da minha irmã. Usei a mesma tática que usei com os outros, conduzi-o até a entrada do porão e abri a porta.

‘- Eles estão lá embaixo. – Disse eu.’

‘Senti novamente a estranha força de que já falei, e, quando Richard percebeu que eu iria empurrá-lo, segurou-me pelo braço e ambos rolamos escada abaixo. Trocamos vários socos e pontapés, mas Richard estava em desvantagem, afinal, ele não conhecia o ambiente, enquanto eu conhecia cada canto daquele porão. Foi um cruzado de direita certeiro em meu rosto que quase me levou a nocaute. Apavorado, Richard ainda chegou a ver os corpos dos amigos torturados e mortos por mim. Completamente desorientado e machucado em razão da luta, ele tentou escapar, subindo pela escada do porão; mas teve a infelicidade de torcer o tornozelo e rolar escada abaixo outra vez. Rapidamente, peguei o machado e, com um golpe certeiro, decapitei seu braço direito. Banhado de sangue e berrando alto, ele ainda ofereceu resistência. Desferi outra machadada que agora decepou o antebraço esquerdo. Por alguns instantes, ele ficou ali imóvel, mergulhado em sangue. Olhei-o fixamente e disse:

‘- Esta é a vingança de minha irmã, Richard. - Esta é a vingança de Emily Mclauren.’

‘Com um olhar hostil, a voz trêmula e sussurrante, ele disse:

‘- Pro inferno você e a vagabunda da sua irmã.’

‘O ódio tomou conta do meu ser, a força estranha, que me movia a fazer aquelas barbaridades, manifestava-se agora de forma mais intensa. Peguei o martelo e desferi-lhe um golpe na boca que lhe arrebentou toda a arcada dentária. Não satisfeito, tirei do bolso uma navalha e cortei-lhe as duas orelhas e, em seguida, o nariz.

‘ - Sangra... sangra, maldito!’

E por fim, para dar cabo à vingança de minha irmã, apanhei o machado e dei um golpe fatal na cabeça daquela figura semimorta. Terminada minha tarefa, sentei no degrau da escada e fiquei em silêncio. Foi quando ouvi o chamado de minha irmã:

‘- Thomas! Thomas!’

‘Apareceu feliz e orgulhosa à minha frente e disse:

‘ - Eu agora posso ir em paz... Obrigada meu, irmão. Adeus!

‘E isso é tudo, delegado’.

- É uma história em tanto senhor Thomas Mclauren; contudo, muito difícil de acreditar. – Disse o delegado. Guardas! Guardas! Podem levá-lo para a cela.